Pieces | O ladrão de sonhos

Quem nos roubou os sonhos? O peso das responsabilidades ou a correria dos dias? Como crescidos deveríamos ter mais certezas, saber quem somos e para onde vamos, mas sinto que andamos todos à deriva. Deixamo-nos levar pelas horas, guiados pelas coisas erradas. Estamos em piloto automático. Sem rumo certo. Perdemo-nos, mas não sei quando nem como. Parece que nos esquecemos do que sonhávamos aos 10, aos 15 ou aos 20. O que nos fazia ansiar por crescer. O que queríamos ser. A verdade é que a vida é mal vivida pela maior parte de nós. O mundo está ao contrário. O certo mistura-se com o errado. E o errado já está certo. Queremos chegar ao topo, mas ao topo do quê? O topo para quê? No fundo só desejamos ser nós. Ser capazes de voltar a sonhar. Aprender novamente a sonhar. Parece que vamos à boleia de uma vida que deveria ser nossa. Onde os sonhos são impossíveis de realizar. Pior, onde já não existem. Culpa da rotina. Das horas curtas dos dias longos. Onde trabalhamos por obrigação e não por amor ao que fazemos. E sonhámos tanto com o que queríamos ser quando fôssemos grandes. E eu pergunto-me se somos alguma coisa do que imaginámos. Se vivemos alguma das coisas que queríamos. Se somos alguma dessas coisas. Se a vida acabasse hoje, fomos o que sonhámos ser? Vivemos verdadeiramente? O que deixaríamos aqui? Apenas sonhos perdidos? Sonhávamos ser tudo, mas não passamos de metade. Metade de tudo. Eternamente insatisfeitos pelo que que temos, pelo que conquistamos e pelo que perdemos. Esquecidos de que o caminho ainda não acabou. Que podemos sempre ser melhores, diferentes ou nada. Que apesar de tudo, o sol nasce todos os dias como uma nova oportunidade. Que nos cabe a nós dar um murro na mesa, tomar as rédeas e sonhar novamente. E tu, o que queres ser amanhã?



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