Pieces * O jogo


O mal das mulheres é acharem que podem jogar o jogo dos homens. Esquecem-se que foram eles que inventaram as regras e serão sempre eles a ganhar. No fim de tudo, ou pelo meio, apaixonam-se. Deixam-se levar pela emoção. Pelas palavras. Pelos cenários criados. O mal é quando se deixam levar e se entregam. Quando se apercebem, já perderam. O jogo chega ao fim e nós acabamos sem nada. Nós não temos a capacidade de ligar e desligar. Não conseguimos racionalizar os sentimentos. Temos necessidades. Temos desejos impossíveis de negar. Não sabemos ser jogadoras, arrumar o que sentimos e usar o que temos a nosso favor. Precisamos mais do que de um jogo. O mal de nós, mulheres, é que não sabemos usar os homens. Brincar e depois arrumar na prateleira. E passamos a vida a querer fazer isso. Por vingança. Para provar alguma coisa. Mas quem acaba na prateleira somos nós, de todas as vezes. O mal das mulheres é querer ter a frieza dos homens. Mas acabamos por derreter pelo caminho. Esse é o nosso mal. Acharmos que somos capazes de os vencer no seu jogo. No jogo dos sentimentos. E é esse o nosso ponto fraco e a vantagem deles. Nós não queremos ganhar e queremos que eles queiram o mesmo. Assim o jogo nunca mais acaba. 



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