Pieces * Actualmente

Os últimos tempos não têm sido fáceis. Com o monte de coisas que me tem acontecido, decidi que está na hora de me dedicar ao que realmente é importante e ao me vai abrir muitas portas. A tese! Parece incrível que ela ainda por aqui ande, mas tem-me dado cabo do juízo. Acho que já vos falei dela algumas vezes, mas depois de tanto tempo corrido, ela merecia um post a sério. 
Uma tese de mestrado, ou dissertação como lhe chamam agora, digo-vos já que não é pêra doce. Começando pelo tema: tem de ser original, porque ninguém vai querer algo pela milésima vez por muito bom que seja, tem de ser actual, útil e concretizável. Muito fácil, como devem imaginar. A verdade é que escolher o tema até foi o menor dos meus problemas. A directora do mestrado deu a ideia, para aqueles que vinham de outra área - que era o meu caso, LA para sempre -, que poderiam tentar trabalhar com as duas áreas. Portanto, línguas e jornalismo dá algo como: o jornalismo e a tradução - quando a notícia é produto de dois mundos. Impecável! E agora o que é suposto eu fazer com esse título fantástico? Boa pergunta! 
Foi o verdadeiro drama, pensei eu, mal eu sabia o que me esperava. Com o projecto de investigação às três pancadas, lá passei eu para o último ano do mestrado. Um ano inteirinho para pegar naquele projecto de 10 páginas e transformá-lo em pelo menos 70. Passou um ano e as 70 páginas nem vê-las. Não sabia por onde começar. Nem sabia bem sobre o que era suposto falar. As imensas aulas sobre estruturação, investigação e bibliografia nunca tinham existido, segundo a minha memória. Fui mais uma das que começou pelo lado errado. Ler, ler e mais ler, coisas que não serviram para nada e mesmo que servissem, eu na altura não ia chegar lá. Foi então que a minha orientadora falou em fazer um índice provisório. O primeiro passo de qualquer dissertação, meus amigos. Agora até eu sei! 
Depois desse passo dado, as coisas foram melhorando. Já começava a fazer sentido o chinês que vinha nos livros e nos artigos. Mas como eu gosto de ir pelo caminho difícil, directamente relacionado com o meu tema, dizer que havia pouca coisa é ser optimista sobre a verdadeira realidade. Não havia nada! - Sou mesmo original! - Um parágrafo aqui. Uma citação ali. E lá fui eu conseguindo fazer as 45 páginas que tenho hoje. 45 páginas de enquadramento teórico e de muita palha pelo meio. Passo seguinte: demonstrar aquilo tudo que tinha dito anteriormente e responder às questões de investigação. Ora, eu num sonho meu - é que só pode - achei que era boa ideia entrevistar jornalistas que trabalhassem com tradução no seu dia-a-dia. Problema nº1: era bom que me respondessem aos e-mails. Problema nº2: seria pedir muito que me atendessem o telefone? Problema nº3: fica tudo na fantástica cidade de Lisboa. 
E eram uma vez algumas entrevistas. Bem-vindos ao presente! O meu nome é Catarina Hilário e ainda continuo à espera de um milagre, de uma máquina de tele-transporte ou de 20 jornalistas disponíveis e à porta de minha casa. Enquanto isso, vou fazendo a introdução, a metodologia, os resumos nas línguas estrangeiras e as correcções. Alguém que acenda umas velas por mim. Quero tanto arrumar com isto. Quero tanto entrar na nova fase da minha vida. Sinto que preciso mesmo disso. Eu sei que consigo, mas em determinadas penso muito seriamente em mandar isto tudo com o c*. Desculpem a linguagem, não encontro palavra melhor.


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